
O presidente do CIFP, Jeno Kamuti, e o secretário-geral Sunil Sabharwal explicam o trabalho da organização em uma breve entrevista para a FIE:
Quais são o papel e a missão do comitê?
O CIFP foi criado em 1963 com a simples missão de promover os ideais de fair play. Interpretamos esses ideais no sentido de que o nosso objetivo não deve ser vencer a qualquer custo, mas, sim, competir em um espírito de respeito aos nossos adversários. É essencial para o esporte respeitar as regras e evitar fraudes de qualquer tipo, como conluios ou o uso de drogas para melhorar o desempenho. Na verdade, pode-se dizer que não existe esporte sem fair play.
Quais são os planos específicos do CIFP para este ano?
Temos possivelmente o ano mais movimentado de todos os tempos à nossa frente. Tivemos uma equipe completa nos Jogos Olímpicos da Juventude em Lillehammer como parte do programa Learn and Share do COI. O CIFP é uma das pouquíssimas organizações externas convidadas a participar desse programa. Devo mencionar a nossa longa parceria com a Global Sports Foundation, cujo apoio foi inestimável para viabilizar a nossa participação nos Jogos Olímpicos da Juventude. Para Lillehammer, preparamos um conjunto completo de jogos interativos e programas educacionais com os quais os jovens atletas aprendem e se divertem. Além disso, estamos preparando o nosso programa de prêmios dos Jogos do Rio 2016. Pela primeira vez na história, deixaremos que o público vote, por meio de todos os tipos de canais de mídia social, em qualquer demonstração de fair play que testemunhe em um evento classificatório ou na Olimpíada propriamente dita. Estamos muito curiosos para ver que tipos de indicações receberemos e muito entusiasmados com a possibilidade de receber uma grande quantidade de materiais de torcedores de todo o mundo.
Como vocês esperam inspirar e influenciar os jovens atletas?
A nossa participação nos Jogos Olímpicos da Juventude é fundamental para este trabalho, pois alcançamos praticamente todos os países do mundo. Cada equipe tem um embaixador, que é um jovem atleta de bom desempenho com o papel de levar ao seu país as mensagens que aprende e compartilha no evento. Confiaremos intensamente nesses embaixadores e embaixadoras dos Jogos Olímpicos da Juventude como multiplicadores das nossas mensagens. Além disso, temos uma parceria com a Classroom Champions, que transmite histórias de fair play a milhares de crianças em dezenas de escolas. Esperamos multiplicar esses relacionamentos ao longo dos anos.
Por que ex-esgrimistas estão entre os líderes do CIFP?
Essa é uma questão interessante. Deixe-me começar dizendo que o CIFP nem sempre foi dirigido por esgrimistas. No entanto, devemos lembrar que, na esgrima, aprendemos desde muito cedo a tratar os nossos adversários com respeito e a ser justos, reconhecendo os toques sofridos e tentando interromper a luta quando o outro esgrimista perde o equilíbrio, ou quando pode surgir uma situação de risco. Os esgrimistas crescem com essas experiências, e por isso entendemos o que "fair play" significa desde o início.
Como o CIFP vê a cooperação com federações internacionais em geral e com a FIE em particular?
O CIFP tem uma tradição de mais de 50 anos na organização de um evento anual de premiação que confere troféus a uma ação, a uma promoção e a uma carreira de fair play. Por uma iniciativa do ex-presidente do COI Jacques Rogge, também lançamos o Troféu da Juventude. Além disso, começamos a frequentar campeonatos mundiais como os da IAAF, da FINA e outros para apresentar prêmios especiais de fair play – um programa que queremos continuar desenvolvendo.
Pessoalmente, estou muito feliz porque, com a liderança do presidente Usmanov, a FIE aprovou a criação de um Conselho de Fair Play no seu último Congresso na China. Agora que ele foi aprovado, estou ansioso para conversar com a FIE sobre como construir um ótimo relacionamento de trabalho no interior das nossas organizações.